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A Dieta pode se Associar com a Inflamação Subclínica e Fatores de Risco Cardiovascular
 

1) Como profissional da área de nutrição, seria possível discorrer um pouco sobre o tema?

O perfil dietético tem sido demonstrado na pre¬dição e prevenção do risco para doença cardiovascular. Um perfil dietético prudente, como aparen¬temente observado na Dieta do Mediterrâneo, é caracterizado pela escolha de alimentos que tenham como estratégia a redução do risco cardiovascular, tais como maior ingestão de frutas, ve¬getais, legumes, grãos integrais, aves, peixes e azeite de oliva. 

A busca por uma dieta saudável para prevenção da DCV tem sido foco de muitos estudos, e dentre estes estudos fica cada vez mais evidente a associação de diferentes fatores de risco e dieta. Inflamação subclínica apresenta-se associada à aterosclerose, diabetes mellitus tipo 2 e DCV. De forma con¬comitante, excesso de peso e aumento de gordura abdominal encontram-se relacionados ao aumento das concentrações sanguíneas de colesterol total, triglicérides e marcadores infla¬matórios, tais como Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF-a), Interleucina 6 (IL-6) e Proteína C Reativa (PCR)

2) Como ela pode ajudar na prevenção de doença cardiovascular?

Estudos recentes têm mostrado que algumas carac¬terísticas da dieta podem apresentar um papel importante na prevenção e redução do risco cardiovascular, especialmente por apresentar um perfil anti-inflamatório. 

A ingestão calórica aumentada está associada à ativação de vias de sinalização inflamatória nas células, pelo aumento do estresse oxidativo e de citocinas inflamatórias. Estudo com dieta hipocalórica mostrou que a redução de PCR está relacionada à diminuição de massa de gordura, a qual reduziu as concen¬trações de Interleucina-6. Em relação aos macronutrientes e sua distribuição calórica total na dieta, 30 % de gordura, 30% de proteínas e 40% de carboidratos parece ser uma opção in¬teressante no que se refere ao risco cardiovascular.

3) Qual a importância das proteínas na alimentação?

Para a promoção da saúde cardiovascular, o ideal é a utilização de fontes proteicas de alto valor biológico e bai¬xo percentual de gordura saturada. A ingestão de proteínas deve estar entre 20 a 30 gramas por refeição, levando-se em consideração que não exista a presença de nefropatias. Desta forma, a quantidade de proteínas totais da dieta estaria em torno de 125 gramas/dia, com o cuidado de apresentar conteúdo suficiente de leucina para manter a síntese proteica adequada.

4) É importante monitorar a quantidade de lipídeos?

A quantidade de lipídios totais na dieta deve estar en¬tre 25% a 35%. Dentre este percentual, recomenda-se que os ácidos graxos apresentem em relação ao valor calórico total da dieta: saturados (menor que 7%), monoinsaturados (até 20%) e poli-insaturados (6% a 10%). Para se manter um perfil anti-inflamatório, alguns estudos têm demonstrado que uma relação w6: w3 favorável seria em torno de 5:1. Sendo que, em relação aos ácidos graxos w-3 (Docosahexaenóico (DHA) e Eicosapentaenóico (EPA)) a quantidade diária sugerida é em torno de 2 a 3 gramas).
Os ácidos graxos trans não devem ultrapassar 1% do valor calórico total da dieta.

5) Como atuam as fibras nessa prevenção?

As fibras solúveis e insolúveis apresentam importância para a saúde cardiovascular. No que se referem às fibras solúveis, frutas, aveia, cevada e leguminosas apresentam a capacidade de reduzir o tempo de trânsito gastrointestinal e a absorção enteral do colesterol. Em contrapartida, as fibras insolúveis não atuam sobre a colesterolemia; entretanto, aumentam a saciedade, o que interfere em outro fator de risco cardiovascular, que é o sobrepeso, já que a ingestão calórica pode ser reduzida com o aumento da ingestão de grãos e hortaliças. A ingestão de 20 a 30 g/dia de fibra alimentar total para adultos, sendo 5 a 10 g provenientes de fibras solúveis, é a recomendação para que se obtenha mais uma medida preventiva à saúde cardiovascular.

6) Qual sua frase final como nutricionista clínica:

“ O padrão dietético deve ser levado em consideração, sem mitos e sem terrorismo nutricional, mas sim fornecer a cada paciente uma orientação nutricional possível e adequada às suas necessidades, lembrando que ser feliz, sem dúvida, é um aspecto incondicional de uma mudança de estilo de vida que veio para ficar.”.

 

 
Autor
 
Profa. Dra. Roberta Soares Lara Cassani
 
Nutricionista, Especialista em Nutrição e Cardiologia pela SOCESP, Professora Doutora em Investigação Biomédica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- FMRP-USP; Pesquisadora Colaboradora do Laboratório de Investigação do Metabolismo e Diabetes LIMED – Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.
 
 

 
Os autores estão em ordem alfabética.
 
 

 
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