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Concentração Sanguínea de Selênio em Pacientes com Leucemia: Revisão Integrativa

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são doenças multifatoriais causadas por fatores biológicos, comportamentais e socioculturais. Ressalta-se que as DCNT são responsáveis por 72% das causas de óbitos no Brasil e dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) apontaram que mais de 45% dos adultos, o que corresponde à cerca de 54 milhões de indivíduos, apresentaram pelo menos um tipo de DCNT.
Dentre a grande variedade de DCNT, as que mais se destacam, sejam por sua prevalência e/ou fatores de risco, são: as doenças cardiovasculares, a diabetes, as doenças respiratórias crônicas, as doenças neuropsiquiátricas e os cânceres.

O câncer é considerado um problema de saúde pública que abrange mais de 100 doenças, possuindo em comum o crescimento acelerado de células que podem invadir os tecidos e órgãos do corpo. São várias as causas que podem determinar o surgimento desta patologia a surgir de forma conjunta ou individual, dando início ao processo de carcinogênese.
É válido mencionar que o câncer pode originar-se em qualquer parte do corpo, entretanto, alguns órgãos são mais propensos a desenvolver essa patologia e cada órgão, por sua vez, pode ser acometido por diversos tipos de tumores. Em todos os tipos de câncer, algumas células do nosso corpo começam a se multiplicar sem parar e se espalhar de forma desordenada. Existem diversos tipos de neoplasias, sendo as mais relevantes o câncer de mama, de próstata, do colo do útero e as leucemias.
Dentre os cânceres, a leucemia é uma neoplasia das células sanguíneas e da medula óssea, caracterizada pela produção excessiva de glóbulos brancos imaturos.  É um tipo de câncer que pode ocorrer em qualquer idade, mas sua prevalência é mais comum em indivíduos com faixa etária infantil, em que cerca de 80% dos casos são entre dois e cinco anos de idade, sendo mais prevalente em meninos.

A leucemia pode ser dividida em dois grupos, agudas e crônicas, sendo subdivididas em: leucemia linfocítica aguda ou linfoblástica (LLA), leucemia mielóide aguda (LMA), leucemia linfocítica crônica (LLC) e leucemia mielóide crônica (LMC). A mais comum em crianças é a LLA e em adultos, a LMA.
Em pacientes com leucemia os exames bioquímicos demostram taxas de oligoelementos bastante alteradas, sofrendo maiores alterações os níveis de zinco, cobre e selênio. Geralmente, verificam-se níveis de cobre mais elevados, apresentando um risco para a saúde do paciente, uma vez que o cobre em altas quantidades contribui para a proliferação de células cancerígenas e auxilia no crescimento tumoral, já os níveis de zinco e selênio são baixos na corrente sanguínea.

Dentre os minerais citados, o selênio é um oligoelemento importante para o corpo humano pois promove a proteção das células contra o estresse oxidativo. O dano oxidativo pode acarretar em mutações e, consequentemente, contribuir para iniciação do processo de carcinogênese, fase na qual as células saudáveis se transformam em células neoplásicas.
A comunidade científica tem relatado a relação dos níveis séricos de alguns nutrientes, como o selênio, em indivíduos com leucemia. Em um estudo de caso controle em pacientes com leucemia, demonstraram que eles apresentaram baixos níveis de zinco e selênio.
A adição de selênio em terapias anticâncer ampliam a janela terapêutica contra diversos tipos de câncer. Em ensaios pré-clínicos e clínicos os compostos de selênio melhoraram o quadro tóxico hematológico e não-hematológico de vários medicamentos quimioterápicos e da radiação proveniente da radioterapia. Além disso, foi comprovado a eficiência deste tratamento em comparação aos demais tratamentos anticâncer.

Diante do exposto, é de suma importância verificar na literatura dados sobre a concentração sanguínea de selênio em pacientes com leucemia, visto que os níveis desse mineral podem ter relação com o estado de saúde desses indivíduos, podendo, ainda, ser considerado um nutriente de grande importância na terapia nutricional contra essa patologia.

O resultado desta revisão integrativa demonstrou que os indivíduos com leucemia apresentam baixas concentrações sanguíneas de selênio. Além disso, os estudos sugeriram que a progressão da doença também contribui para a redução dos seus níveis.
Entretanto, novos estudos experimentais e observacionais devem ser realizados com intuito de elucidar os principais fatores que contribuem para as baixas concentrações sanguíneas deste mineral em indivíduos com leucemia, bem como a geração de informações que demonstre a importância da monitorização desse nutriente e a sua utilização na terapia nutricional.

Autores

Sílvio Marcos Honório Filho - Graduando do curso de Nutrição, Centro Universitário Mauricio de Nassau.

Giullyany Patrícia de Oliveira - Graduando do curso de Nutrição, Centro Universitário Mauricio de Nassau.

Prof. Dr. Paulo Victor de Lima Sousa - Professor do curso de Nutrição, Centro Universitário Maurício de Nassau. Mestre (PPGAN/UFPI). Doutor em Alimentos e Nutrição (PPGAN/UFPI).

Prof. Gleyson Moura dos Santos - Professor do curso de Nutrição, UniFacid. Mestre em Ciências e Saúde (CCS/UFPI).

Profa. Dra. Nara Vanessa dos Anjos Barros - Nutricionista. Professora Adjunta do Curso de Nutrição. Universidade Federal do Piauí/Campus Senador Helvídio Nunes de Barros (UFPI/CSHNB). Mestre (PPGAN/UFPI). Doutora em Alimentos e Nutrição (PPGAN/UFPI). Pós-graduada em Nutrição Clínica e Funcional (UNIFSA).

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