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Manejo Nutricional e Farmacológico de Crianças Portadoras de Refluxo Gastroesofágico: Uma Revisão de Literatura.

No cenário atual é perceptível o aumento de crianças que sofrem com o refluxo gastroesofágico (RGE), essa patologia se caracteriza pelo retorno involuntário do conteúdo gástrico do estômago para o esôfago, em alguns casos chegando até a boca e a faringe (com presença ou não de vômitos), o refluxo ocorre por uma falha no esfíncter que existe na base do esôfago. Esse esfíncter atua como uma espécie de válvula, que monitora a passagem de materiais nessa região, tanto o que desce para o estômago quanto impedindo os sucos gástricos de subirem. As manifestações clínicas variam referente a faixa etária da criança, em lactentes presença de sintomas como regurgitação, irritabilidade, recusa de alimentação, disfagia, insônia, já em crianças entre 1 a 5 anos existência de sintomas como regurgitação, vômito, dores abdominais, anorexia e recusa de alimentação, em crianças pré-escolares os sintomas são semelhantes ao refluxo em adultos.

É evidente que essa doença causa sintomas desconfortáveis para as crianças, assim apresentando alguns fatores que predispõem a patologia, como: doenças pulmonares crônicas, porque elas aumentam a pressão sobre o estômago, fumaça de cigarro (como tabagismo passivo) e a cafeína (em bebidas ou no leite materno) relaxam o esfíncter esofágico inferior, permitindo que o refluxo ocorra de forma mais rápida, como também a postura em decúbito da criança, sendo assim, deve-se evitar colocar a criança em posição deitada logo após as refeições, para impedir o retorno do produto da digestão para o esôfago. Posteriormente, a obtenção do diagnóstico de RGE é feita pela história clínica, sendo utilizado a anamnese como o instrumento de identificação, juntamente com exames subsidiários, como: exame radiológico, monometria, cintilografia, pHmetria de 24 horas, endoscopia digestiva e teste terapêutico.

Dessa forma, a conduta de tratamento não farmacológica aborda reduzir as refeições calóricas e com um grande volume que aumenta o conteúdo gástrico, principalmente se forem alimentos gordurosos, pois podem acarretar esvaziamento gástrico lento, orienta-se diminuir o volume e aumentar a frequência, se aplica a crianças não lactentes, ou crianças em aleitamento complementar, além disso, é recomendado evitar o consumo de alimentos de difícil digestão, que gerem gases e irritação estomacal,  como os carboidratos simples: salgadinhos, pão branco, bolos, biscoitos, refrigerantes, macarrão branco, também dirimir ou excluir os alimentos com cafeína, como café ou chocolate.

Por conseguinte, sabe-se que o tratamento inclui diversas medidas gerais e atuação de equipe multidisciplinar, que visa na melhoria dos sintomas e cura das lesões causadas pela doença, sendo assim, o tratamento varia referente ao grau da doença, podendo ser realizado terapia conservadora (mudança de hábitos e manejo nutricional), medicamentosa e cirúrgica. O tratamento medicamentoso é indicado na RGE e esporadicamente indicado no refluxo fisiológico, apenas em episódios muito frequentes, que acabam interferindo no conforto da criança.

Neste contexto, a pesquisa tem como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre o impacto do manejo nutricional e farmacológico em crianças portadoras de refluxo gastroesofágico.

Manejo nutricional e Farmacológico em crianças com refluxo gastroesofágico
O manejo nutricional da criança com RGE consiste principalmente em conter os sintomas e as suas possíveis complicações, como também impulsionar o crescimento da criança, além de curar lesões teciduais. Ademais, o tratamento medicamentoso com antiácidos juntamente com as mudanças no estilo de vida, elevação do travesseiro na hora de dormir, a orientação dietética é essencial para reduzir os sintomas, como: manter aleitamento materno exclusivo, e caso o bebê consumir fórmula, fracionar as mamadeiras e, em alguns casos, utilizar fórmulas espessadas. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para alcançar o tratamento adequado é essencial a correta orientação aos pais e familiares, pois as orientações podem aumentar a segurança e até mesmo colaborar com a diminuição dos sintomas da criança.

A priori, o profissional de nutrição deve visar na melhoria dos sintomas da patologia na criança e auxiliar os pais nesse momento, é necessário atentar os pais sobre a posição da criança a recomendação é manter a criança em decúbito supino com a elevação da cabeça em 30°, evitar roupas apertadas e colocar a criança em decúbito horizontal. Além disso, crianças que apresentam alterações no estado nutricional devem fazer manutenção no peso, crianças com obesidade devem perder peso e crianças com baixo peso devem ganhar peso. Em relação ao consumo alimentar é orientado a restringir alimentos ricos em cafeína, como chocolates, café, refrigerantes, além de reduzir alimentos apimentados e ricos em gorduras, estes alimentos têm seu tempo de digestão no estômago mais prolongado e as bebidas gaseificadas também aumentam a pressão dentro do órgão, agravando o quadro de RGE.

Por conseguinte, além do cuidado com os alimentos ingeridos pela criança que possui a patologia, é necessário um planejamento nutricional adequado e individualizado, caso essa criança detenha de uma dificuldade na hora da alimentação, por meio de estratégias que ajudam a dirimir essa dificuldade, como o posicionamento e manobras compensatórias de deglutição, modificações de temperatura ou sabor, volume da refeição, consistência e quantidade de refeições.

Dessa forma, o espessamento de líquidos a partir de espessantes a base de amido ou goma é uma estratégia, pois retardam o fluxo, auxiliando a sucção do lactente ou deglutição da criança. Porém é preciso analisar o estado nutricional da criança e escolher o adequado, devido a espessantes à base de goma não possuir calorias ou nutrientes, ou seja, não aumenta na qualidade ou calorias desse alimento, já os espessantes à base de amido são mais calóricos e acrescentam calorias nessa refeição.

Diante do exposto, o tratamento de RGE deve ser implementado com medidas gerais e estilo de vida que tem por objetivos principais aliviar os sintomas e prevenir complicações, sendo baseado em medidas farmacológicas como: inibidores de bomba de prótons, que inibem a produção de ácidos pelo estômago,  como é o caso do omeprazol que é indicado para tratar certas condições em que ocorra muita produção de ácido no estômago, pró-cinéticos que ajudam a controlar sintomas, principalmente vômitos e antissecretores de ácidos indicados para azia e dor.

Em alguns casos onde a alimentação e o tratamento farmacológico são ineficientes se faz fundamental o uso de outros métodos, algumas crianças que não respondem ou respondem apenas parcialmente aos medicamentos e ainda demonstram complicações severas de RGE devem realizar correção cirúrgica de RGE, esse tratamento ajuda na melhoria da patologia e traz melhoria de vida para o paciente, algumas vezes parte dos pacientes sujeitos a cirurgia antirrefluxo, devem manter o tratamento medicamentoso por algumas semanas.

Desse modo, é notório que o RGE é um problema extremamente comum entre as crianças e se torna um impasse para os pais, essa patologia é caracterizada por um retorno do conteúdo gástrico que ocasiona sintomas e lesões que são desconfortáveis para as crianças, afetando assim a sua ingestão alimentar e consecutivamente o seu estado nutricional, sendo assim, necessário um manejo nutricional com alternativas eficientes para a melhoria dos sintomas do refluxo gastroesofágico e a manutenção do estado nutricional da criança, isso é possível pela diminuição de alimentos com cafeína, pimenta e ricos em gorduras, além de evitar alimentos secos e duros, preferir alimentos pastosos, aumentar o fracionamento e diminuir o volume das refeições.

Autores

Profa. Dra. Liejy Agnes dos Santos Raposo Landim – Nutricionista. Mestre em Alimentos e Nutrição/UFPI. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário Santo Agostinho – UNIFSA, Teresina, Piauí, Brasil.

Profa. Dra. Adriana Barbosa Guimarães - Nutricionista do Hospital da Polícia Militar Dirceu Arcoverde. Docente mestre do Centro Universitário Santo Agostinho- UNIFSA dos cursos de nutrição e enfermagem.

Dra. Daniela Fortes Neves Ibiapina – Nutricionista. Mestre Profissional em Mestrado em Saúde da Família pelo Uninovafapi, Brasil.

Profa. Luciane Lima da Silva - Membro do NDE do Curso de Nutrição da Faculdade Santo Agostinho, Brasil. Bióloga, Mestre em Farmacologia pela Universidade Federal do Piauí, Brasil. Professora Titular do Centro Universitário Santo Agostinho, Brasil.

Ana Beatriz Soares de Sousa; Maria Vitória Nunes Teixeira; Marília Carvalho Medeiros - Discentes do Curso Bacharelado em Nutrição pelo Centro Universitário Santo Agostinho- UNIFSA, Teresina, Piauí, Brasil.

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