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Suplementos de Vitaminas e Minerais: uso seguro para benefícios seguros

A alimentação é um processo em constante evolução, diretamente relacionado com mudanças no estilo de vida individual ou familiar que influenciam alterações nos hábitos alimentares. Cresce a preocupação com a adequação da ingestão de vitaminas e minerais por parte de um número crescente de indivíduos que, por força da vida moderna, dedicam pouco tempo para obter uma alimentação completa e de qualidade, optando cada vez mais freqüentemente por "fast foods" ou mesmo os chamados "snacks".

Por outro lado, reconhece-se que pode ser difícil para algumas faixas da população alcançar, a partir da dieta normal, níveis de ingestão recomendados em determinadas situações fisiológicas especiais. As recomendações nutricionais são elaboradas para prevenir o surgimento de manifestações de deficiência e garantir crescimento e desenvolvimento necessários, sustentando adequadamente a saúde e o bom estado nutricional sem qualquer efeito adverso, risco de inadequação ou ingestão excessiva de algum nutriente.

Historicamente, a prescrição de suplementos tem sido feita para corrigir manifestação de deficiência e assegurar que a ingestão por indivíduos com dieta reconhecidamente deficiente de vitaminas e minerais atinja os níveis recomendados. Em doses elevadas, alguns nutrientes têm sido prescritos como medicamentos em função dos efeitos farmacológicos desejáveis obtidos. Mais recentemente, no entanto, percebe-se cada vez mais um consenso quanto à existência de uma relação estreita entre alimentação, saúde e doença.

Desenvolvem-se novos conceitos sobre as necessidades de nutrientes em estados fisiológicos especiais, como por exemplo na recomendação para suplementação com folacina para gestantes, contribuindo para prevenir o surgimento de defeitos na formação do tubo neural primitivo do feto. Cada vez mais freqüentemente têm sido descritos efeitos benéficos para saúde resultantes da presença na dieta de compostos alimentares não-nutrientes, muitos deles cientificamente comprovados (flavonóides, ácidos graxos ômega-3, etc.).

Suspeita-se que determinadas ações fisiológicas de alguns nutrientes possam ser decisivas para o aumento da expectativa de vida ou a melhoria da qualidade de vida (ação antioxidante dos carotenos ou vitaminas E e C). Consequentemente, tem sido bastante comum recomendar-se para alguns nutrientes, especificamente aqueles associados à redução do risco de doenças crônicas, uma ingestão superior à usual (cálcio e osteoporose).

Novos suplementos são formulados para atender às demandas dos consumidores por benefícios para a saúde resultantes de uma ingestão mais elevada de algum nutriente (Vitamina C para fumantes). No entanto, não há dúvida de que a ingestão excessiva de alguns nutrientes pode acarretar efeitos indesejáveis ou adversos para a saúde. Podem ser efeitos tóxicos agudos, manifestados em função da ingestão excessiva de um nutriente em um determinado momento (intoxicação por ferro, em crianças), ou crônicos, resultantes de ingestão de quantidades excessivas de um nutriente por longos períodos de tempo (retinol, selênio).

Podem ainda ocorrer efeitos mais brandos, mas seguramente indesejáveis, como a pigmentação amarelada na pele na hipercarotenemia ou a vasodilatação e a ruborização decorrentes da terapêutica com niacina. Pode ainda ocorrer o mascaramento de sintomas de deficiência de algum nutriente em conseqüência da suplementação excessiva com outro. É o que acontece na suplementação com folacina, mascarando a anemia megaloblástica, característica da deficiência de vitamina B12, como também na suplementação contínua com vitamina C, interferindo nos resultados de glicose sanguínea e dificultando o controle da glicemia pelos diabéticos. Em relação ao sucesso da terapêutica, as interações drogas-nutrientes são relevantes.

O excesso de algumas vitaminas ou minerais pode alterar a biodisponibilidade dos medicamentos, positiva ou negativamente. Se por um lado a vitamina C melhora a absorção de drogas ácidas, como a aspirina, por outro reduz a biodisponibilidade de algumas drogas básicas, como as anfetaminas. São conhecidos os antagonismos entre nutrientes e fármacos diversos. A ingestão excessiva de nutrientes pode ainda induzir a ocorrência de interações entre eles, causando efeitos adversos na absorção e no metabolismo, como ocorre na suplementação de cálcio incorretamente prescrita para as refeições, que pode induzir a anemia, ou na suplementação inadequada com ferro bloqueando o transporte e distribuição do zinco dietário no organismo.

Considerando-se a importância significativa da composição relativa dos nutrientes em cada refeição para a correta utilização dos nutrientes, tem sido recomendado o cálculo das relações molares entre os minerais presentes concomitantemente no trato gastrintestinal, para comparação com parâmetros de segurança que podem evitar a ocorrência de interações nutricionais negativamente críticas para o estado nutricional e a saúde dos indivíduos. As recentes recomendações de ingestão de quantidades de nutrientes superiores àquelas que devem ser consumidas diariamente para satisfazer às necessidades nutricionais da maior parte dos indivíduos, associado ao fato de que na sociedade moderna é grande a preocupação com a saúde física e mental, resultaram em grande aumento na produção e comercialização dos suplementos de vitaminas e minerais. Isto tem gerado, a nível mundial, grande preocupação por parte dos gestores da saúde.

Muitas das propriedades alegadas para justificar o consumo acima das recomendações não foram demonstradas cientificamente. Em muitos casos, não foram avaliadas as conseqüências das interações entre os nutrientes resultantes de dosagens elevadas a longo termo. Em outros, os dados sobre a toxicidade resultante da ingestão deliberada de um nível elevado de nutrientes pelos indivíduos não estão disponíveis, devendo levar ainda muitos anos para que a caracterização clínica dos efeitos adversos e suas implicações possam ser melhor conhecidos.

Autor

Prof. Dr. Ricardo Coelho Doutor em Ciência da Nutrição e Professor Adjunto da Escola de Nutrição da Universidade Federal de Ouro Preto. Em 1997, coordenou o Grupo de Trabalho constituído pelo Ministério da Saúde para proceder à modernização e harmonização da Legislação Brasileira de Alimentos. É hoje Coordenador do Grupo Técnico em Nutrição e Alimentos para Fins Especiais para o Codex Alimentarius, constituído pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Os autores estão em ordem alfabética

Este artigo é um resumo. O artigo em sua íntegra pode ser encontrado na revista Nutrição em Pauta, edição Mai/Jun/2000

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