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Avaliação do perfil nutricional e conhecimentos de nutrição de atletas de voleibol

O ótimo desempenho do atleta é dependente do seu treinamento e da sua alimentação; portanto, seu treinamento deve ser bem planejado e periodizado e sua alimentação deve conter quantidades adequadas e equilibradas, suprindo assim, todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo. Para determinar o perfil nutricional e conhecimentos de nutrição de atletas de voleibol, foi utilizado um questionário, a partir do qual foram obtidas informações acerca da alimentação e treinamento, orientação nutricional e conhecimentos acerca dos alimentos e sua relação com o desempenho.

As respostas obtidas indicam que o profissional de nutrição não é o principal responsável pela orientação nutricional dos atletas, e que estes demonstram grande dificuldade em relacionar os nutrientes e suas fontes alimentares. A nutrição constitui o alicerce para o desempenho físico (McArdle et al., 2001), sendo muito importante para a saúde geral do atleta; permite a otimização dos depósitos de energia, redução do tempo de recuperação, ou ainda que o atleta treine por um número maior de horas (Wolinsky & Hickson, 1996). O estado nutricional do atleta pode exercer um impacto significativo no seu desempenho .

A maioria dos estudos com atletas demonstram que a ingestão calórica é subestimada e que o objetivo de todo atleta é alcançar níveis de composição corporal abaixo dos padrões de saúde (Williams, 2002). Em qualquer modalidade esportiva, os carboidratos são os macronutrientes que devem apresentar maior contribuição calórica (Hargreaves, 2000).

O aumento da ingestão de carboidratos é fundamental para restaurar as reservas de glicogênio hepático e muscular, bem como para aumentar o desempenho (Costill & Hargreaves, 1992; Bangsbo, 1992; Kirkendall, 1993; Hargreaves, 1994; Clark, 1998). Assim, é fundamental assegurar uma ótima disponibilidade de carboidratos antes, durante e após exercícios extenuantes, potencializando a performance (Costill & Hargreaves, 1992). Quanto à reserva energética, os lipídios são os maiores representantes. O uso deste nutriente como fonte energética requer oxigênio, passando a depender da duração e da intensidade do exercício. Desta forma, esse tipo de substrato é utilizado primordialmente durante o repouso e no exercício de resistência.

A importância desta fonte de energia cresce então com a gradual redução dos outros tipos de substrato, notadamente carboidratos, à medida que a atividade física se prolonga (Pendergast et al., 2000). As proteínas, apesar de terem uma função principalmente estrutural, podem intervir energeticamente tanto em atividades de curta duração como de longa duração. Nestas últimas, sua utilização pode representar até 15% da energia gasta, e essa porcentagem pode aumentar se a atividade prolongar-se no tempo e o desportista ficar horas sem comer ou tiver consumo reduzido de carboidratos (Férnandez et al., 2002). Os minerais que têm um papel mais importante no desenvolvimento de atividade física são cálcio, sódio, potássio, cloro, magnésio, fósforo, enxofre, iodo, ferro e zinco. Todos eles são proporcionados de maneira adequada quando se realiza uma dieta equilibrada dos pontos de vista qualitativo e quantitativo, e por isso, o aporte suplementar não é necessário.

Em qualquer caso, a ingestão indiscriminada de compostos ricos em minerais nunca produzirá um aumento no rendimento esportivo, apresentando, ao contrário, efeitos negativos relacionados fundamentalmente ao desequilíbrio eletrolítico que produzem (Férnandez et al., 2002). Não deve ser esquecida a importância da hidratação, pois a ingestão adequada de líquidos assegura o equilíbrio hidroeletrolítico, podendo garantir ainda a performance e reduzir os riscos associados ao aumento da temperatura corporal (Maughan & Leiper, 1994). Por isso, as estratégias de reidratação têm sido alvo de grande atenção, como forma de manter os fluidos corporais e melhorar o desempenho, retardando o processo de fadiga (Coyle, 1992; Gisolfi, 1992; Maughan, 1991; Schedl, 1994 Apud Lancha Jr, 2002).

Os atletas muitas vezes experimentam diferentes tipos de dietas, buscando um melhor desempenho. Essas modificações dietéticas vão desde a alta ingestão de carboidratos até o uso de técnicas condenáveis para perda de peso e abuso de suplementos nutricionais para aumentar processos metabólicos, na intenção de melhorar a performance (Singh et al, 1992). O uso de suplementos nutricionais é influenciado na maioria das vezes por modismos e propagandas não científicas, sem a recomendação de um profissional, indicado muitas vezes por técnicos e vendedores de lojas específicas .

A desinformação quanto à nutrição e a perpetuação dos modismos insensatos permanecem em franca ascensão (Kazapi & Tramonte, 2003), e por isso, os atletas apresentam hábitos nutricionais errôneos; isto se confirma através de estudos sobre o conhecimento nutricional dos atletas (Wolinsky & Hickson, 1996), revelando que, freqüentemente o consumo de carboidratos não corresponde às orientações preconizadas. Através da determinação dos hábitos alimentares dos atletas, pode-se perceber a composição da sua dieta, bem como os alimentos consumidos erroneamente (carência ou excesso), que podem ser prejudiciais a médio e longo prazo (McArdle et al., 1998). Os objetivos deste estudo foram avaliar o perfil nutricional de atletas praticantes de voleibol e verificar o conhecimento de nutrição destes, no que diz respeito aos nutrientes e suas fontes, bem como a alimentação durante os treinamentos.

Autores

Prof. Dra. Ileana Mourão Kazapi Professora Adjunta do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Mestre em Ciências dos Alimentos. Coordenadora do Ambulatório de Nutrição Esportiva da UFSC.
Sarita Martins Camiña Acadêmica do curso de graduação em Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina.

Os autores estão em ordem alfabética

Este artigo é um resumo. O artigo em sua íntegra pode ser encontrado na revista Nutrição em Pauta, edição Nov/Dez/2004

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