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Perspectivas dos Cuidados Nutricionais nas Doenças Crônico-Degenerativas

Existem diferentes tipos de classificação para as Doenças Crônico- Degenerativas ( DCD).Uma delas é a divisão em Doenças Crônicas Transmissíveis ( DCT) e Doenças Crônicas Não Transmissíveis ( DCNT ).Em ambas, encontramos um grande número de patologias a serem estudadas e que sofrem influência direta da Nutrição Clínica.
Desta forma e, vamos abordar um dos grupos das DCNT, constituído pela obesidade, hipertensão arterial, doença cardiovascular e diabetes, que constituem a chamada Síndrome Plurimetabólica.

Sabemos que o conhecimento da inter-relação da obesidade, gota, hipertensão arterial e infarto com o comer e beber excessivamente, existe há inúmeros anos, mas foi no Século 20 que surgiu o conceito de Síndrome Plurimetabólica, através de Maranon em 1922 e Himsworth em 1936 que estudaram os primeiros sintomas que caracterizaram a síndrome. Os estudos continuaram com Vague e Albrink reconhecendo a associação entre obesidade, hiperlipoproteinemia e arteriosclerose.

Em 1965, Avogaro e Crepaldi descreveram pacientes apresentando obesidade, diabetes, hiperlipoproteinemia, hipertensão arterial e isquemia cardíaca e chamaram a este conjunto de patologias crônico-degenerativas de Síndrome Plurimetabólica, provocada principalmente por hábitos alimentares e estilo de vida inadequados. Eles revelaram ao mundo, um problema antigo que, somente neste século está sendo considerado em conjunto, a Síndrome Plurimetabólica, uma epidemia dos nossos dias.

A industrialização, a má educação nutricional, o sedentarismo, a agitação da vida moderna, o uso de bebida alcoólica, dentre outros, levam a má nutrição e, consequentemente, a uma maior exposição aos fatores de risco para as DCNT em questão, que constitui um grave problema de Saúde Pública.

O número de pacientes portadores de doenças crônico-degenerativas tem crescido nas últimas décadas. É claro que a indústria farmacêutica também cresceu neste período e novas drogas surgiram para o tratamento destes pacientes, mas não podemos esquecer que, com elas, surgiram, também, outros efeitos colaterais que, em segunda intenção, interferem na nutrição do indivíduo, bem como sérias interações entre os fármacos e os nutrientes, gerando alteração na ação e efeito da droga, alteração do estado nutricional do paciente e, automaticamente, alteração na qualidade de vida.

No mundo inteiro, a preocupação com o estudo das interações drogas e nutrientes tem aumentado significativamente. Infelizmente no Brasil as informações ainda são limitadas e desconhecidas da maioria dos profissionais de saúde, retardando a recuperação do paciente. É preciso que estudos nesta área, ao nível nacional, se desenvolvam e se tornem públicos a fim de que os pacientes tenham um melhor prognóstico e um nível de bem estar físico mais adequado.

O processo saúde – doença sempre foi um dos pontos de destaque na cultura humana. Desde os povos primitivos, até hoje, tem-se buscado mecanismos que conduzam e mantenham o equilíbrio corporal, evitando-se e/ou minimizando-se os processos patológicos. No anseio de se buscar o completo bem estar geral do indivíduo, várias terapias têm sido propostas e validadas, entre elas a Nutrição Clínica, através de uma conduta dietoterápica individualizada e adequada ao quadro clínico e ao tratamento farmacológico que o paciente está sendo submetido. O emprego da dietoterapia tem sido ampliado nas últimas décadas ao se comprovar que a Nutrição adequada melhora o prognóstico e evita o surgimento de diversas complicações patológicas.

Assim, ao se propor a prescrição de uma conduta dietoterápica para o indivíduo portador de doença crônico-degenerativa ( DCD ) busca-se não só atuarmos sobre a patologia em si, como também diminuirmos o risco global do paciente, seguindo os seguintes passos :

1 - Estabelecimento do Diagnóstico Nutricional através de uma Avaliação Nutricional criteriosa que contemple, a História Dietética; a Avaliação Antropométrica, Bioquímica, Imunológica, Clínico-Nutricional, Social/ Econômica e Psicológica; Fármacos em uso e suas interações com os nutrientes, bem como seus efeitos colaterais, como ocorre com o uso de - Hipoglicemiantes orais , Diuréticos , Antihipertensivos , Antigotosos, Antilipemiantes , Analgésicos salicílicos ,e outros

2 - Determinação dos Objetivos a serem alcançados, destacando-se entre outros :
Corrigir a obesidade, sobretudo a de elevado ICQ e controlar e manter o peso ideal a cada caso; Satisfazer os requerimentos nutricionais necessários; Garantir a normalização da função do trato gastrointestinal ( TGI ); Prevenir e minimizar as complicações oriundas das patologias e das drogas em uso; Controlar a pressão arterial; melhorar os níveis de HDL; reduzir a uricemia, a glicemia e os lipídios séricos ( especialmente o colesterol total, LDL e triglicerídeos ) para diminuir o risco de ICC e AVC; Corrigir os níveis elevados de homocisteína, que atua como fator de risco para doença cardíaca; Promover a Educação Nutricional

3-Prescrição dietoterápica com estabelecimento das características químicas e físicas da dieta para cada caso, não esquecendo das interações entre os nutrientes e os fármacos, suas colateralidades, as recomendações e orientações específicas, como por exemplo:

VET – ajustado às necessidades do paciente ( ANP ) visando a manutenção do peso corporal ligeiramente abaixo do ideal ( 5 a 10% ), para melhorar o funcionamento do músculo cardíaco, musculatura diafragmática, principalmente para o controle da hipertensão arterial e da hiperlipoproteinemia
PROT – normo , retirando os alimentos fonte de colesterol e ácido úrico, bem como ajustadas às alterações hepáticas e renais e aos fármacos que tenham ou não capacidade ligante à proteína. Nos casos de artrite gotosa ter atenção para o tipo de proteína animal

GLIC – ANP, observando-se a intolerância à glicose e a hipertrigliceridemia induzida ou não por alguns fármacos e o diabetes mellitus ( ênfase na utilização dos glicídeos complexos e sem concentração de dissacarídeos )
LIP – hipo com relação P/S = 1, visando normalizar os limiares lipídicos; estimular a secreção de prostaglandinas vasodilatadoras; aumentar a utilização de ácidos graxos cis-monosaturados ( óleo de girassol, canola, açafrão, azeite de oliva ) e hipocolesterolêmica (250 a 500mg/dia )

Autor

Prof. Dra. Nelzir Trindade Reis Nutricionista e Médica, responsável pelo Ambulatório de Nutrição Clínica do Serviço de Endocrinologia e Nutrição da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Prof. Titular (aposentada ) da Universidade Federal Fluminense. Prof. Adjunta A de Nutrição Clínica da Univ. Veiga de Almeida. Livre Docente em Nutrição Clínica pela UGF. Autora dos livros "Nutrição Clínica na Hipertensão Arterial", "Nutrição Clínica no Sistema Digestório" , "Nutrição Clínica – Alcolismo" e " Nutrição Clínica - Interações ". Acadêmica Titular da Academia Brasileira de Administração Hospitalar.

Os autores estão em ordem alfabética

Este artigo é um resumo. O artigo em sua íntegra pode ser encontrado na revista Nutrição em Pauta, edição Mai/Jun/2001

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