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Nove coisas que você deve saber antes de cortar o glúten da sua dieta

 
1) Antes de aderir a uma dieta sem glúten é preciso de uma indicação  de um profissional da saúde?
Cada vez mais pessoas estão comprando, cozinhando e comendo alimentos sem glúten, mas nem todas essas pessoas realmente precisam seguir uma dieta sem esse nutriente. Segundo uma pesquisa recente, cerca de 30% dos adultos norte-americanos deseja cortar o glúten da dieta, mas os motivos para isso não são muito claros. E por aqui também não é difícil encontrar alguém que já cortou ou deseja cortar o glúten da dieta.
 
Há muitas hipóteses para o interesse repentino nesse tipo de dieta, bem como no aumento de pacientes que levantam preocupações relacionadas com o glúten com seus médicos. Talvez, a influência das celebridades que promovem o corte do glúten como uma forma de perda de peso realmente seja grande.
 
Apesar da falta de clareza científica, a alimentação sem glúten é um fato nos dias de hoje, seja como “dieta da moda” para alguns ou como necessidade para outros. Entretanto, algumas questões certamente precisam ser esclarecidas.  relacionamos algumas informações relevantes sobre o tema.
 
2) Quais são as nove coisas que devemos saber antes de cortar o glúten da dieta?

1 - Algumas pessoas realmente precisam de uma dieta sem glúten. Mas para a maioria das pessoas ela não é necessária ou indicada
Cerca de 1 em 133 pessoas – ou 0,75% – tem a doença celíaca, uma doença autoimune hereditária que causa danos ao intestino delgado quando o glúten é ingerido. Somente 0,4% das pessoas têm alergia e/ou intolerância à gliadina – uma proteína presente no trigo, na aveia, no centeio e na cevada (e seu subproduto malte), cereais utilizados na composição de alimentos, medicamentos, bebidas industrializadas e até mesmo de alguns cosméticos – comprovada por diagnóstico médico. Nessas pessoas, uma verdadeira resposta alérgica à gliadina pode abranger sintomas na pele, nas vias respiratórias e sintomas gastrointestinais. Estima-se que um grupo maior de pessoas tenha o que é chamado de sensibilidade ao glúten na ausência de doença celíaca, que também pode apresentar sintomas semelhantes aos da doença celíaca, mas o quadro não é muito bem compreendido por especialistas. Essas pessoas também podem considerar evitar o glúten por motivos de saúde.
 
2- Se você acha que tem a doença celíaca, você deve conversar com seu médico primeiro
Antes de aderir ao tratamento – ou seja, uma dieta sem glúten – por sua própria conta, você precisa de um diagnóstico preciso. Se você está perdendo peso, apresenta deficiência de ferro, anemia ou tem uma história familiar de doença celíaca, converse com um médico antes de simplesmente desistir do glúten para ver como você se sente
 
3 - Deixe seus amigos e familiares falarem à vontade sobre isso
Talvez por causa do discurso das celebridades que dizem ter aderido à dieta sem glúten, amigos ou familiares podem não entender se você tiver que cortar o glúten devido a motivos de saúde. Os comentários e perguntas podem irritá-lo, especialmente se eles giram em torno das suas opções alimentares.
 
4 - Você não precisa evitar todos os grãos
Só porque é um grão não significa que ele tem glúten. Você tem muitas opções: amaranto, painço, sarraceno e quinoa
 
5 - Você não vai necessariamente perder peso
O que nós encontramos frequentemente na população celíaca são pessoas que ganham peso ao cortar o glúten da dieta. Já algumas pessoas perdem peso quando cortam o glúten da dieta porque também seguem outras recomendações nutricionais relacionadas à doença celíaca, como cortar uma grande quantidade de alimentos processados ​​que são naturalmente ricos em calorias e gordura. Algumas pessoas com doenças como síndrome do intestino irritável e artrite reumatoide relatam alívio de seus sintomas com o corte do glúten de suas dietas, embora não haja nenhuma evidência científica para suportar essas alegações. Para os que não têm doença celíaca – e aqueles que não têm uma alergia ao trigo – os fragmentos de gliadina não digeridos passam normalmente através do intestino e os possíveis benefícios de uma dieta livre de glúten são nebulosos, talvez inexistentes para muitos.
 
6 - O glúten pode muitas vezes estar escondido em locais sorrateiros
E alguns deles são bastante despretensiosos, como hambúrgueres vegetarianos ou saladas. O glúten também pode estar escondido em certos suplementos ou medicamentos. Você deve ficar atento e passar a ler todos os rótulos dos alimentos.
 
7 - Você vai precisar de acompanhamento nutricional
Eliminar um nutriente importante da dieta não é algo simples. Após o diagnóstico da doença celíaca ser confirmado, orientamos o paciente a buscar acompanhamento nutricional adequado. É preciso buscar uma nutricionista familiarizada com as necessidades específicas da dieta sem glúten, para que essa profissional possa  propor substituições que assegurem o consumo de todos os nutrientes pelo paciente. Algumas pessoas podem acabar comendo alimentos menos saudáveis. Um muffin sem glúten geralmente contém menos fibras do que um feito de trigo e ainda oferece os mesmos perigos nutricionais: gordura e açúcar. Alimentos sem glúten também são menos propensos a serem enriquecidos com vitaminas. Além de cortar o glúten, o paciente celíaco precisa fazer outras substituições e modificações no cardápio como comer mais alimentos integrais, como feijão, nozes, sementes, frutas frescas e vegetais.
 
8 - Você ainda poderá ir a seus restaurantes favoritos
Cada vez mais, os restaurantes (assim como a indústria alimentícia) estão dispostos a se adaptarem às necessidades dietéticas especiais, para não mencionar o número crescente de restaurantes que atendem especificamente ao público que busca uma dieta sem glúten.
 
9 - Problemas de pele podem desaparecer
Muitas pessoas com doença celíaca alegam que sua pele melhora quando eles deixam de ingerir glúten. Outras condições comuns da pele como eczema e psoríase também podem demonstrar alguma melhora com uma dieta livre de glúten. Entretanto, pesquisas ainda não foram feitas para mostrar se essa melhora na aparência da pele é devida especificamente à retirada do glúten, do trigo ou dos alimentos processados da dieta.

Autor

Prof. Dr. Silvio Gabor Médico Especialista em Gastroenterologia e Cirurgia do Aparelho Digestório e Professor Assistente de Cirurgia Geral e do Trauma da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA) - (CRM-SP 47.042).

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