Participação do Companheiro no Processo do Aleitamento Materno
 
O aleitamento materno é de suma importância tanto para o binômio mãe/filho como para a sociedade. São muitos os fatores que interferem na decisão de amamentar. O companheiro influencia na amamentação do período gestacional até o puerpério. Dessa forma, um dos objetivos deste estudo foi verificar a importância do companheiro na prática do aleitamento materno. Observou-se que com o incentivo do pai, 81,1% das mulheres pretendem amamentar por mais de um ano. Entre os pais que tem ações positivas, 73,8% das mulheres pretendem amamentar por mais de 6 meses. Por outro lado, 33 % disseram que o companheiro era indiferente a amamentação, o que é preocupante, já que o apoio deles pode ser decisivo para a decisão de amamentar. O estudo apontou a necessidade de orientações mais efetivas, viabilizando a participação do companheiro.

O aleitamento materno é uma prática natural e de suma importância tanto para a binômia mãe/filho como para a sociedade. Atualmente tem se recomendado amamentação exclusiva nos primeiros seis meses e manutenção do aleitamento materno complementado até 2 anos de idade ou mais.(Giugliani, 2000; Salviano, 2004).

Apesar da simplicidade do ato são muitos os fatores que influenciam a mãe na decisão de amamentar: o nível de escolaridade, que influencia na obtenção de esclarecimentos sobre a amamentação; o nível sócio-econômico, proporcionando aos pais o acesso a outros alimentos questionando a importância e a necessidade do aleitamento materno; a ajuda de alguém na realização dos trabalhos domésticos; a quantidade de filhos e/ou outras pessoas que moram no mesmo local interferindo no tempo necessário para a amamentação e o papel do companheiro que pode facilitar ou dificultar o processo de amamentação.

A Unicef, OMS e órgãos de proteção à criança, como Waba (World Alliance for Breastfeeding Action), IBFAN (Internation Baby Food Action Network), La Legue Leite, de todo mundo, chegaram ao consenso de que o aleitamento materno é um componente básico para o êxito em qualquer estratégia para a sobrevivência infantil. (Rego, 2001)

O aleitamento materno é conseqüência de uma estrutura bem trabalhada, com acompanhamento de consultas pré-natais, inclusive nutricionais, onde devem ser repassadas informações sobre a importância do apoio da família no período de amamentação. Um estudo de Barros (1994), citado por Lamounier (1999), mostrou impacto positivo no aleitamento materno quando visitas domiciliares eram feitas por assistentes e nutricionistas com experiências bem sucedidas em amamentação.

O companheiro influencia na amamentação do período gestacional até o puerpério. Por acreditar que é o melhor alimento para a criança, por considerar importante o cuidado dispensado a seu filho nesse período e por ser mais econômico incentiva a sua companheira a amamentar. Alguns homens são grandes incentivadores do aleitamento materno, outros chegam mesmo a pressionar a mãe influenciando diretamente na escolha da alimentação de seu filho. Brott (2002), coloca que ocorrem emoções conflitantes nos primeiros meses da paternidade, e mesmo, nos primeiros anos. Por um lado está o senso da virilidade, do orgulho de ter criado uma vida nova e por outro lado estão os sentimentos de impotência quando não podem satisfazer e ou às vezes, compreender as necessidades do bebê. Algumas, dessas atitudes, podem ser alteradas ou afirmadas através da orientação dos profissionais de saúde.

A participação positiva do pai é também tanto mais eficaz quanto mais ele souber sobre as vantagens e o manejo da amamentação. De acordo com Lana (2001) a falta de relacionamento do bebê com o pai no início da vida pode deixar um vácuo penoso nos sentimentos futuros da criança.A presença e os cuidados do pai têm uma repercussão muito grande e é através dessa participação é que vai construir um vínculo sólido com o filho. É uma experiência importante para a criança saber e sentir que existem dois tipos de pessoas no mundo diferentes, mas complementares

No século XIX, o movimento higienista valeu-se do aleitamento materno como instrumento para se fortalecer na sociedade e colonizar progressivamente a família tornando-a cada vez mais dependente dos agentes educativo-terapêuticos (Almeida, 1999). Nesse período, surgiram as primeiras regras normalizadoras, que adotavam os referenciais teóricos da escola européia, em especial, à francesa e a alemã para obter sucesso na prática do aleitamento. Mas, com as regras, nasceram as exceções. O higienismo criou e introjetou na cultura brasileira a figura do leite fraco - um modelo explicativo que inferioriza a mulher perante a sociedade – assim, o modelo higienista sabia promover o aleitamento materno, mas não sabia apóia-lo. Frente à realidade do leite fraco, a medicina optou pelo emprego das amas-de-leite. No Brasil, já no início do século XX, tem-se registro da cultura dos leites industrializados. A fábrica em larga teve como conseqüência direta à ampliação do conjunto de exceções reconhecidas pelo discurso médico. (Almeida, 1999).

A amamentação é a forma ideal de alimentar as crianças pequenas e em muitos casos ela é facilitada pelos profissionais de saúde, através de uma prática clínica adequada.(Giugliani,2000)

 

 
Autores
 
Dra. Cleise dos Reis Costa
Nutricionista do Hospital Sofia Feldman/BH. Especialista em Administração em Serviços de Saúde/UNAERP e Nutrição e Saúde/UFV. Avaliadora da Iniciativa Hospital Amigo da Criança/MS.

 
Os autores estão em ordem alfabética. Este artigo é um resumo. O artigo em sua íntegra pode ser encontrado na revista Nutrição em Pauta, edição Mar/Abr/2005